segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sábado Animado!


Fotografia: Simião Castro


A festa tinha hora certa pra começar, mas era uma festa diferente. Às nove horas da manhã, de um sábado de primavera cheio de sol, a comunidade do Morro de Santana se reuniu para, juntos, devolver a vida a um de seus principais pontos: a “Bica do Córrego Seco”.

A iniciativa partiu da própria comunidade, que impulsionada pela atuação da Escola Municipal Juventina Drumond, foi movida pela necessidade de recuperar este seu patrimônio que, por muitos anos a serviu, com suas águas abundantes. A Escola participa do projeto: “Sou do Morro, eu também sou patrimônio” e vem transformando seu cotidiano tendo, como um de seus focos a educação patrimonial – instrumento construtor de cidadania.

Esta aventura foi possível graças ao entusiasmo dos moradores, do apoio da prefeitura municipal, que enviou trabalhadores disponíveis, e colaborou muito no processo de recuperação da Bica. O Programa Sentidos Urbanos: patrimônio e cidadania, também ofereceu seu apoio. Esta ação integra o projeto do qual faz parte a Escola Juventina Drumond.

As atividades propostas pelos monitores do programa despertaram a alegria daquelas crianças, jovens, adultos e idosos, que, numa grande roda, brincaram do lado da bica.

As antigas lavadeiras, mulheres lutadoras, que por muitos anos fizeram da Bica a extensão de suas casas, contaram suas histórias numa vídeo cabine que teve como cinegrafistas, entrevistadores e produtores alunos da escola Juventina Drumond.

O Carro Biblioteca também esteve lá que, carregando sonhos, livros e palhaços, contribuiu com suas cores e histórias.

A Bica do Córrego Seco se transformou em palco. Recebeu um grande espetáculo teatral: “O Cavaleiro Inexistente” de Ítalo Calvino, apresentado pelo Mambembe - Música e Teatro Intinerante, projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto, que roubou sorrisos e prendeu olhares de todas as cores e idades.

Outros sábados assim deveriam compor nossos calendários: cheios de sol e de desejos de recuperar os lugares afetivos que nos ajudam a compor o grande patrimônio que nos rodeia.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ondina

Fotografia: Léo Lopes



A vida se constrói nas idas e vindas,

Nas chegadas e partidas,

Nos encontros e despedidas...

Se faz com os passos que caminham juntos,

Que nas vielas vão recolhendo as peças que constroem e reconstroem um mundo de possibilidades infindas...

Assim a história se realiza,

Do encontro de faces e pedras, sempre novas e sempre antigas...

Se faz na lida

Dos Josés, das Marias, de Téos e Anitas,

Que se inscrevem nas paredes remotas,

E sentam secas, ainda que Ondinas, para acompanhar, com seus olhos vividos, a vida que, nos encontros, por ela passa.

Texto: Lidiane Andrade


Plantando novos olhares: A semente do audiovisual é lançada na Escola Municipal Dr. Pedroza em Santo Antônio do Leite


Brindados com a graciosidade lilás das quaresmeiras pelos caminhos que nos levaram de Ouro Preto a Santo Antonio do Leite dos dias 25 a 29 de outubro, iniciamos mais uma aventura de despertar diferentes olhares em uma oficina de audiovisual promovida pelo Programa Sentidos Urbanos: patrimônio e cidadania/Base Criativa – laboratório patrimônio, na escola Dr. Pedrosa naquele distrito que foi mais que acolhedor – familiar.

Uma bolinha de gude, minúscula, ousou de sua capacidade de rolar pelo chão para dar início a uma semana de aprendizados, buscas, construção de um processo encantador. Aos poucos fomos nos conhecendo e reconhecendo quando, a bolindre lançada pelo outro chegava até nós trazendo o desafio de falar quem éramos e do que gostávamos de fazer. Assim aquela turma do 9º ano começava a semana – brincando de bolinha de gude para despertar o interesse e o gosto por um mundo de infinitas possibilidades – o de contar as histórias através das imagens.

Os trabalhos foram acontecendo de modo surpreendente. Aqueles alunos foram aos poucos aprendendo a construir roteiros, a trazer os seus trajetos cotidianos puxados na memória movidos pela afetividade que os compõem.

Uma das propostas da oficina foi a de eleger pontos da comunidade, de referência para o grupo, como a igreja de Santo Antonio, o Casarão – hoje hotel Ville Real e a própria escola. O objetivo era construir roteiros afetivos que se transformaram em histórias contadas por eles e por moradores, cuidadores daquele mágico lugar. Um enredo fascinante que revela as marcas da vida, de ontem e de hoje, num encontro maravilhoso de gerações diferentes.

O final da semana ia chegando com gosto de saudade. As mãos agora já não tinham mais sementes... Elas foram lançadas em uma terra bastante fértil, que já começou a ser regada com sonhos, entusiasmos e a esperança dos frutos que mesmo tão rapidinho começaram a despontar. Elas agora carregam, câmeras, tripés, para registrar o que eles aprenderam a ver.

De volta, fielmente acompanhados pelas quaresmeiras da estrada, continuamos motivados pelo mesmo desejo: o de despertar novos sentidos, para reconstruir as belas histórias tecidas no tempo e no espaço de jeito novo e marcado pela criatividade.

Texto: Lidiane Andrade

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

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